Noel Rosa
Noel tinha pressa.
Lógico: era necessário
crescer rápido, fazer o que fez durante a vida – uma vida tão mais
interessante e empolgante quanto a sua obra (em todos os sentidos,
nos altos e nos baixos momentos) – construir uma obra musical invejável
e tornar-se eternidade em oito anos, aproximadamente, e morrer jovem.
Como Dean (o James –
esse foi rápido demais), como o Pessoa (Fernando, que demorou mais
um pouco), como os Beatles.
Inventou a bossa nova
- o termo - (referência anatômica às bossas existentes na calota craniana,
já que era um estudante de medicina, atribuindo ao seu estilo de samba
uma coisa nova, como a descoberta de uma nova bossa no crânio), vendeu
samba, levou porrada de malandro para dividir parceria, bebeu cerveja
barata, mentiu para a família (todos pensavam que ele cursava o terceiro
ano de medicina, mas, na verdade, havia trancado a faculdade ainda
no primeiro ano), andou com putas, trocou samba por carro conversível,
escreveu em jornalzinho de colégio (O MAMÃO – o mamão é fruta, mas
é macho! – slogan). Era um verdadeiro sem-vergonha, no sentido mais
romântico do termo.
Talvez o autor e compositor
mais profícuo e importante da história da música popular no Brasil,
morto aos 26 anos e meses.
Ora, disso todo mundo
sabe.
Analisando a sua obra,
chega-se a conclusões interessantes. Era um machista empedernido.
Nas suas letras, mulheres eram sempre as vilãs, destroçando corações,
traindo e safando-se do destino.
Era um antenado crítico
do sistema. É só re-visitar Com Que Roupa.
Um poeta no mais puro
e dramático sentido do termo, com letras que rivalizam sua veia para
o verso histriônico.
Apenas para pontualizar
o humor em Noel Rosa:
Noel sempre chegava tarde
na rádio que o contratara para disc-jóquei e o seu chefe já estava
irritadíssimo com essa ousadia.
Certa vez, vendo que
o chefe já o esperava mal humorado, Noel desculpa-se da seguinte forma:
- Desculpe, chefe. Não
consegui chegar mais atrasado!
Uma das mais belas homenagens
fonográficas já realizadas para consagrar Noel Rosa é o disco duplo
de Ivan Lins – Viva Noel. Nesse cuidadoso trabalho de garimpagem sobre
a obra de Noel Rosa, Ivan teve a sensibilidade de preservar o máximo
possível os arranjos originais, intensificando aqui e ali algumas
tonalidades melódicas com elementos mais modernos sem no entanto macular
a idéia poético-musical do autor.
Com rara sensibilidade,
Ivan Lins amplia a beleza de versos belíssimos que só a audição do
disco em si pode re-significar.
As novas gerações ou
aqueles que quiserem entender o que é a MPB tem por obrigação conhecer
a obra de Noel Rosa.
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